Depressa chegámos ao último dia desta, que foi uma das mais arrojadas edições do Festival Sudoeste TMN. Por lá passaram perto de 42 mil pessoas e os estreantes GIVERS e os cabeças-de-cartaz Swedish House Mafia fecharam em beleza a edição deste ano.
No campismo, a música fazia-se ouvir a quilómetros de distância. Alguns campistas desfilavam em peregrinação em direcção ao Canal, para uns mergulhos e pura diversão, enquanto outros caminhavam em direcção à saída, para regressarem de novo às suas casas.
O primeiro concerto do dia no Palco Jogos Santa Casa Planeta Sudoeste esteve ao cuidado da banda espanhola Pollock, que apresentou o disco "Getting Down From The Trees". O público mostrava-se animado e batia o pé ao ritmo de uma sonoridade pop-rock.
“Boa Tarde, nós somos os GIVERS, viemos de Louisiana e é a primeira vez que estamos no vosso país. Esperamos que se divirtam” - foi assim que Taylor Guarisco, o vocalista da banda norte-americana, se dirigiu ao pequeno número de espectadores, que depressa se foi tornando maior. Os GIVERS têm apenas um álbum - "In Light" -, mas conseguiram animar e surpreender todos os presentes. Com uma sonoridade indie-pop e rodeados de instrumentos, os GIVERS desdobram-se em várias canções, recorrendo ou ao som de um ukulele, ou de um ritmo de bateria mais forte. As expressões faciais que Taylor Guarisco faz enquanto canta e a jovialidade de Tiffany Lamson fizeram com que este se tornasse um dos concertos mais surpreendentes de todo o festival.
A jovem norte-americana Zola Jesus deu continuidade ao espectáculo no Palco Jogos Santa Casa Planeta Sudoeste, embora este não tenha sido tão animado como o dos GIVERS. Consigo trouxe o seu mais recente álbum, "Conatus", lançado este ano, mas a sua performance peculiar evidenciava algum desconforto.
Para encerrar em grande o palco secundário, os Neon Indian, oriundos do estado do Texas, conseguiram criar um ambiente festivo com as suas canções electrónicas e de estilo chillwave. Integraram o alinhamento canções como Deadbeat Summer, 6669 (I Don't Know If You Know) e Sleep Paralysist. A banda aproveitou a ocasião para dar a conhecer o seu novo álbum, que sairá em meados do mês de Setembro com o título de "Era Extraña".
Quanto ao Palco TMN, o primeiro concerto do dia coube ao “ídolo” Filipe Pinto, mas foram os Nova Iorquinos Interpol que aqueceram a noite. Durante uma hora seguida, a banda liderada pela voz inconfundível de Paul Banks revisitou os seus êxitos, como Evil, Cmere, The Heinrich Maneuver, Slow Hands, entre outros, incluindo também canções do álbum homónimo, lançado no ano passado. O comportamento da banda é que deixou um pouco a desejar. Paul Banks apenas disse “Obrigado”, sem nunca ter cumprimentado o público.
Depois da actuação dos Interpol, foram os The National que subiram ao palco principal. Perante uma plateia semi-cheia, o vocalista Matt Berninger agradeceu ao nosso país a sua hospitalidade, realçando o facto de termos o melhor vinho do mundo, do qual é grande apreciador.
Os The National apresentaram um alinhamento muitíssimo interessante nesta noite. Depois de terem cantado Available, "uma das canções mais amargas e maléficas" do grupo segundo o vocalista, ouvimos Fake Empire, seguindo-se o encore, não tão aplaudido como a banda esperava. De facto, os The National não estavam no seu ambiente em termos de plateia. Contudo, alguns dos presentes renderam-se à magia da musicalidade de Terrible Love, High Violet e It takes an Ocean Not To Break. Todo o espectáculo foi bastante coerente, uniforme e muito bem elaborado, embora não tivessem conseguido cativar todos os presentes que ansiavam para ver a última actuação da noite.
No dia anterior, o fecho do dia coube a David Guetta e arrastou multidões. Mais uma vez a aposta para encerrar o dia e o certame foi no trio de DJ’s oriundo da Suécia. Os Swedish House Mafia são Axwell (que esteve na recepção ao campista, mas infelizmente não pode estar presente nesta noite), Steve Angello and Sebastian Ingrosso e têm milhares de fãs por toda a Europa. Durante quase duas horas, a dupla passou remisturas de Coldplay (o mais recente single Every Teardrop Is A Waterfall), R.E.M., com o tema Losing My Religion, ou Red Hot Chili Peppers, com Otherside.
Os cartazes com palavras de incentivo e apreço pelo grupo eram mais que muitos e mantiveram-se no ar durante todo o espectáculo. Em termos visuais, os Swedish House Mafia conseguem aquecer toda a gente: entre as músicas mais fortes, jactos de fogo e fumo invadiram a frente de palco e deixaram os milhares de espectadores em delírio. E foi com esta actuação calorosa que terminou mais um Festival Sudoeste TMN na Zambujeira do Mar.
Texto: Ana Cláudia Silva
Fotografias: Filipa Oliveira