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Sudoeste tmn 2011, dia 2: ninguém pára a festa da música Vê aqui as melhores fotos do segundo dia do evento
 
 
2011-08-06 01:57 inserido por Filipa Oliveira
 
Neste segundo dia de festival em terras alentejanas, os portugueses Clã e Deolinda moveram multidões e nem o atraso de Kanye West fez com que o público saísse mais cedo do recinto. Segundo números da organização, estiveram presentes perto de 45 mil pessoas.

Por entre as duas entradas para o recinto, centenas de jovens que permanecem a residir no campismo, dividiam-se entre fazer compras no supermercado, as filas para a casa de banho e ainda à procura de boleia para ir a banhos na praia da Zambujeira do Mar. Dentro do recinto, as grades no palco principal começavam a desaparecer no horizonte pois alguns jovens instalaram-se de armas e bagagens para um lugar privilegiado na primeira fila. Contudo, foi no palco Jogos Santa Casa Planeta Sudoeste que surgiu a primeira surpresa do dia.

Os Clã, que são veteranos por estas andanças festivaleiras, regressaram desta vez para um concerto especial. Para além do público festivaleiro, estava presente um grupo de crianças vindas de Odemira, convidados especiais da banda. O palco estava decorado a rigor, cheio de antenas parabólicas e plataformas cor-de-laranja e, em cima deste, os portuenses tocaram o álbum "Disco Voador", disco esse dedicado aos supernovos, e ainda tocaram êxitos como 'Carrossel dos Esquisitos', 'h2omem' e 'GTI', que todos cantaram bem alto.

"Não importa se a música é feita para crianças, mas sim o poder que ela tem" - e com esta frase Manuela Azevedo foi aplaudida até começar a cantar novamente músicas deste seu mais recente trabalho, entre elas o single 'Os embeiçados' e o divertidíssimo 'Chocolatando', que teve direito a uma super coreografia elaborada pelos próprios membros da banda.




O cartaz deste dia do Sudoeste TMN 2011 estava bastante completo em termos de diversidade musical. Neste mesmo palco passaram mais duas cantoras portuguesas e de estilos distintos: a jovem revelação do fado Cuca Roseta e outra jovem revelação  de estilo mais pop-jazz, Luísa Sobral. Ambas têm apenas um álbum a ser comercializado e ambas têm sido alvo de críticas bastante positivas pelo seu contributo na música portuguesa.




Para finalizar mais um dia de concertos no palco secundário, outro grupo veterano em anteriores cartazes do festival Sudoeste TMN - dEUS. A maneira como Tom Barman se comportou em palco é de um verdadeiro líder de uma banda de rock: fumou, bebeu e exibiu danças frenéticas por entre os acordes electrizantes das guitarras.

Os cinco elementos da banda destacam-se pela maneira como interagem com os seus instrumentos, pela maneira como comunicam com o público e pela maneira como sentem na pele aquilo que tocam. A tenda onde se situa o palco secundário estava praticamente lotada para um concerto que não desiludiu ninguém e que recordou alguns êxitos como 'Suds and Soda' e Instant Street. Em palco, os dEUS apresentaram também novas canções que pertencem ao novo trabalho de originais, que será lançado no próximo mês de Setembro. Os fãs que aguardem com elevada expectativa porque os belgas não vão  desiludir.



Terminada a reportagem pelo palco secundário, recuamos umas horas para vos contar o que aconteceu no palco TMN.

Os ares e o calor do Brasil estiveram presentes na sonoridade de Marcelo Camelo. Pronunciando um "Boa tarde" com pronúncia portuguesa, Marcelo Camelo e a sua banda composta por dez elementos apresentaram o seu mais recente disco, "Toque Dela", recheado de melodias prazeirosas e com ritmos que fazem balançar o corpo.

Ser a primeira banda a actuar é sempre um pouco ingrato e Marcelo Camelo merecia mais público, mas como só faz falta quem está, este portou-se bastante bem. 'Acostumar', 'Tudo o que você quiser' e 'Tudo Passa' foram tocados com uma enorme alma. O charme de Marcelo Camelo é transposto pela sua postura totalmente descontraída e, sentindo-se em casa, o cantor tirou os óculos de sol, sorriu para a plateia e tocou o grande êxito 'Janta'. A carreira de Marcelo Camelo merece ser seguida com muita atenção, pois a crítica brasileira comprova muito bem todo o seu talento.



Entretanto os membros da banda Deolinda subiram para o palco e, mal se ouviram os acordes do violoncelo, pessoas começaram a correr e a aplaudir a entrada de Ana Bacalhau. O colectivo, que já nos habituou a um registo de melodias divertidas e fáceis de decorar, conseguiu divertir todos os presentes desde o início, com as músicas 'Um Contra o Outro' e 'Patinho de Borracha' - na qual os presentes levantaram no ar patos de papel, dando um efeito visual bastante engraçado. De seguida, Ana Bacalhau apresentou dois grandes músicos nacionais - o baterista Sérgio Nascimento e o clarinetista Miguel Veríssimo, que tocaram as canções 'Mal por Mal' e 'Passou Por Mim e Sorriu'.

Para terminar em grande estilo e alvoroço, 'Fon Fon Fon' e 'Parva que sou' foram cantados em uníssono e aplaudidas fervorosamente.



A sonoridade reggae/pop de Patrice contagiou toda a plateia, que correu para a frente do palco, exibindo as mãos no ar de modo organizado. Os singles 'Ain't Got No' e Soulstorm' foram entoados em voz alta e até assistimos a uma dança do cantor com a bandeira de Portugal em punho. O espectáculo em si foi bastante familiar, semelhante ao ambiente vivido no dia anterior. E é este tipo de ambiente que o Sudoeste tmn 11 transmite e que deixa todos felizes.


Eis que são 00h40 e um oceano de gente aguardava pelo concerto mais esperado do festival - o do indescritível Kanye West. Mas o cantor só decidiu aparecer uma hora depois, após os ecrãs do recinto se desligarem e o corpo de 20 bailarinas subirem ao palco para exibirem coreografias excessivamente trabalhadas. Kanye West surge no meio do corredor que divide a plateia através de uma plataforma elevatória que sobe cada vez mais alto e onde o fumo faz impera.
Com uma carreira rodeada de sucessos, o seu elevado ego é inesgotável e isso faz com que haja um certo amor-ódio pela sua personalidade, mas temos que admitir que o seu talento e atitude em palco faz qualquer um ficar rendido.

O concerto estava dividido em três actos, começando o primeiro acto com 'Higher', logo seguida por 'Power', canção do seu último trabalho de originais, "My Beautiful Dark Twisted Fantasy".
A atitude convencida de Kanye West é notória. O artista transborda segurança. Nenhuma palavra de cumprimento é dirigida ao público, mas este nem parece importar-se com tal. Ao longo de todo o espectáculo, Kanye West cantou também o poderoso Love Lockdown, Heartless, All Of The Lights e Homecomming (infelizmente nem a Rhianna nem Chris Martin estiveram fisicamente presentes).
No terceiro e último acto, Kanye West apareceu com outra roupa e encantou com o belíssimo 'Runnaway' onde as suas bailarinas surgem com um guarda-roupa a relembrar o Cisne Negro. O espectáculo termina com 'Hey Mama' -  música que  o cantor dedica sempre à sua falecida mãe. Portugal cá o aguarda novamente, mas desta vez sem atrasos.





Texto: Ana Cláudia Silva
Fotografias: Filipa Oliveira
 

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