Junta-te a nós! O Palco Principal é uma rede social de música onde os artistas, os ouvintes e os profissionais do mundo da música se encontram. Sabe mais aqui!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Optimus Alive!11, dia 3: Os últimos são sempre os primeiros A reportagem do terceiro dia do festival
 
 
2011-07-09 06:56 inserido por Sara Novais
 

Todos nós temos os nossos ídolos - artísticos e não artísticos.  E todos os ídolos têm os seus fãs. Mas há fãs - diga-se -, sobretudo os mais jovens, que vivem, nos dias de hoje, o fanatismo de uma forma bastante peculiar. Acampar à entrada do Optimus Alive!11, de forma a poderem ser os primeiros a chegar à linha da frente do palco Optimus, por amor aos 30 Seconds to Mars? Elementar, meu caro.

S. Pedro presenteou os festivaleiros, neste terceiro dia de festival, com um ambiente sinistro: céu encoberto, nuvens escuras, vento a pacotes. Parecia avizinhar-se uma tempestade, mas não era de foro meteorológico. Os destaques da noite acabaram por ir para os imponentes Grinderman, os poucos segundos dos 30 Seconds to Mars e os imparáveis The Chemical Brothers .

Mesmo com o vento a dar o ar da sua graça, deixando tudo e todos cheios de pó, o recinto tinha diversão para dar e vender. As pessoas circulavam por todos os lados como se o recinto dum centro comercial se tratasse, mas, neste caso, à procura de brindes e da atenção alheia, enquanto faziam as típicas figuras caricatas, sempre presentes num festival que se preze.

Embora os concertos tenham começado às 17h00, quer na tenda do Optimus Clubbing, quer no palco Super Bock, foram os Friendly Fires (cujo espectáculo começou apenas às 18h00 em ponto) que chamou mais à atenção. Compartilhando as atenções e a potência sonora com a tenda do lado, Ed Macfarland e os restantes elementos da banda subiram entusiasmados ao palco, que tinha como pano de fundo a projecção da capa do seu segundo álbum, “Pala”.

As cores vivas das penas de arara a contrastar com o azul de fundo davam ao cenário uma tonalidade intensa. O calor começava a fazer-se sentir, perante tamanho aglomerado de pessoas. As músicas irrequietas do grupo aumentavam-no de minuto a minuto. 

Os Friendly Fires iniciaram  a festa com o tema Lovesick, com o vocalista a descer para ao pé da multidão e a dupla que toca instrumentos de sopro a contagiar-nos a todos com as suas habilidades. Sempre com danças frenéticas, os Friendly Fires apresentaram ainda o tema Jump Into The Pool, a adorável Blue Cassette e a igualmente aclamada Skeleton Boy, pertencente ao primeiro álbum do grupo.

Sempre em grande animação, a banda tocou ainda Hawaiian Air e, assim, continuou a garantir um óptimo inicio de festival, num dia que viria a revelar-se de azar.

Como habitualmente os concertos no palco Optimus têm início às 18h00, muitas pessoas se deslocavam para lá com interesse de ver a banda portuguesa Klepht a apresentar os seus novos singles. A espera deu, contudo, lugar a estranheza num ápice: olhars desconfiaos, curiosos eram trocados a cada esquina, na tentativa de perceber o que estava a motivar um atraso já notório. Minutos depois, surgiam os primeiros rumores de "problemas técnicos" com o palco e toda a sua estrutura. Os rostos de descontentamento e desilusão multiplicavam-se.

Mas, como havia estreias internacionais para conhecer, partimos novamente em direcção ao palco Super Bock, onde os irmãos Angus & Julia Stone, oriundos de uma localidade de Sydney (Austrália), partilhavam o seu trabalho. Uma coisa era certa, à primeira audição: o seu trabalho nada tinha a ver com o trabalho apresentado na tenda ao lado - o palco Optimus Clubbing, que de doce, suave e simples.... pouco, muito pouco, tinha.

Com um visual meio hippy, imensamente natural, Julia é quase uma jovem dos «sete ofícios». Não tocou sete instrumentos, mas surpreendeu a tocar trompete apenas com a mão direita. Não é este um ofício que vale por sete? O público não lhe pode estar mais rendido. A proeza, um "Olá", um "Tudo bem" e um "Obrigado", pronunciados em português, foram o suficiente.

Já o seu irmão Agnus exibe uma guitarra acústica, donde saem melodias delicodoces, como Black Crow e Santa Monica Dream.

De facto, algo se passava com o palco principal - facto comprovado quando membros da organização subiram para cima do palco, dando ordens ao público - e pedindo que este as seguisse atentamente - para que tudo corresse dentro da normalidade. Pouco depois, vem a saber-se que os três primeiros concertos agendados para este palco, neste dia, foram cancelados: tratavam-se dos espectáculos de Klepht, The Pretty Reckless (outro nome muito aguardado pela assistência) e You Me At Six. A conformidade dos fãs destes contrastava com o desespero dos fãs de Jared Leto e companhia, que angustiavam com a ameaça de cancelamento do concerto dos seus ídolos. Felizmente, isso não aconteceu. Bem ditos engenheiros, bem ditas gruas!

A caminho do palco secundário, reparámos que o palco Optimus Clubbing continuava sem dar descanso aos festivaleiros...

Fleet Foxes é um nome bastante badalado no circuito do indie rock. Era também outra estreia em Portugal - uma estreia que não desiludiu ninguém, muito pelo contrário! O vocalista Robin Pecknold e  seus colegas assumem um estilo calmo e um visual friorento (alguns deles, diria mesmo, pareciam preparadíssimos para a pesca do bacalhau).

A entrega de Fleet Foxes em palco é enternecedora e isso é notório nas suas melodias delicadas, que depressa alternam para um estado meio frenético. Os norte-americanos (mais concretamente vindos de Seattle) brindaram-nos com as canções Mykonos, Your Protector, Ragged Wood, entre outras, terminando a apresentação com Helplessness Blues.

O palco era minimalista e a quantidade de instrumentos enchia o olho a qualquer um. Como se não bastasse, o vocalista não poupou elogios a quem os presenteou com aplausos, repetindo que o público português tinha o melhor ritmo de todos os públicos que já tinham visto. Por cá, todos aguardamos um concerto em nome próprio.

O nome de Nick Cave ouve-se por todo o lado, mas, desta vez, ele regressa com o seu super grupo Grinderman. Era um dos concertos mais esperados da noite e a multidão não tardou a aparecer para ficar o mais perto possível do grande (literalmente grande) Nick Cave.

É o guarda-roupa (anos 70) e o visual (barba comprida, fios e anéis de ouro como se não houvesse amanhã) de cada membro do grupo que realça todo o espectáculo. Nick Cave é que entristeceu alguns fãs por ter desfeito o seu bigode.

Depressa Nick Cave começou a dar espectáculo – atirou o microfone para o chão em Worm Tamer e caminhou para os braços do público com a sua guitarra. Em I’ve Loved Yu For Far Too Long repetiu a proeza e o público entrou em delírio.

O calor que se fazia sentir fez com que o suor começasse a escorrer pelos rostos de todos os presentes, mas nem isso os fez arredar pé daquele local. Todos os membros da banda se mostraram imparáveis, sobretudo Martyn Casey, que também não se contém nas suas coreografias desconcertantes. Alternando entre a guitarra e o piano, Nick Cave releva ferocidade e os ritmos tornam-se ainda mais frenéticos, sem lugar para pausas.

No Pussey Blues e Love Bomb foram outros êxitos que se escutaram, terminando o concerto com You’ve Been Super Sweet. Nick Cave despediu-se de todos, entoando a frase “You’ve been fucking amazing” e todos ficámos com o coração apertado e triste por o espectáculo ter acabado.

Finalmente, e para contentamento dos milhares de pessoas que enchiam o recinto, o concerto dos 30 Seconds To Mars ia começar. Em cima do palco Optimus estava visível uma pirâmide (símbolo da banda) originalmente branca, mas que, ao longo do concerto, foi mudando de cor, e um tecto cheio de luzes que piscavam como estrelas cadentes. Mal se ouviu Oh Fortuna, de Carmina Burana - uma espécie de alerta de que algo estava a começar naquele local -, as pessoas começaram a correr que nem loucas, com meninas a gritarem histericamente por Jared e Shannon Leto e Tomo Milicevic. 

Os 30 Seconds to Mars entraram cheios de genica, com ar de que queria dar tudo o que tem. Jared Leto, um autêntico camaleão da moda, que envergava uma capa malhada de preto e branco e apresentava o cabelo puxado para trás, abre com Kings and Quees – primeiro single do seu segundo álbum. Sucedeu-se A Beatufiul Lie, Attack, Search And Destroy, This is War, Hurricane, Alibi, The Kill, terminando a actuação com o estrondoso êxito Closer to the Edge.

A setlist foi curta, bastante curta para quem esteve horas à espera e aguardava com grande entusiasmo este concerto. Contudo, houve momentos mágicos para dar e vender: desde Jared Leto ter pedido a uma rapariga para lhe dar os seus óculos de sol vermelhos em formato de coração (que lhe davam um toque bastante cómico, por sinal),  a uma chuva de balões vermelhos, passando pela entoação dos temas Hurricane e Alibi em versão acústica.

A troca de carinhos entre Jared Leto e as suas fãs é sempre agradável de se ver. Chamou três pessoas do público para cima do palco e ainda pediu a um deles para lhe ensinar algumas palavras em português. Após os ensinamentos, já proferia expressões como “Eu amo-vos” e “Vocês são loucos” com toda a facilidade, colocando todos em êxtase. Também agradeceram a todos a paciência que tiveram por esperar que o concerto começasse e a persistência e amor que evitou terem ido embora.

30 Seconds to Mars mereciam mais tempo e mereciam um som melhor. O espectáculo ficou um pouco aquém das expectativas, para quem teve oportunidade de ver o concerto que a banda deu num Pavilhão Atlântico esgotadíssimo, há pouco tempo. Fica a promessa de um regresso, se possível, sem precalços a registar.

E, sem mais demoras, o palco Optimus transformou-se numa discoteca gigante para receber o espectáculo de luz e som dos The Chemical Brothers.

Tom Rowlands e Ed Simons estavam quase invisíveis aos olhos do público, tal era o tamanho da mesa de mistura. Os grandes hits, como Hey Boy, Hey Girl e Do It Again, foram os mais dançaveis ao longo de todo o espectáculo.

Não há muito que se possa dizer sobre um espectáculo de The Chemical Brothers. Trata-se de um concerto extremamente visual, carregado de luzes e raios laser, aparentemente oriundos da Guerra das Estrelas, e de animações em vídeo, que acompanham os sons que vão saindo das poderosas colunas. Quem esteve até ao fim gostou muito e não saiu desiludido.

Para fechar este terceiro dia de Optimus Alive, Steve Aoki sobrelotou a tenda Optimus Clubbing  e Digitalism encerrou da melhor maneira o palco Super Bock (embora com escasso público a assistir).

Texto: Ana Cláudia Silva

Fotografias: Filipa Oliveira  e Rúben Viegas (30 Seconds to Mars)

 

Comentários

 
 
 









Ver mais notícias
 
 
Ver mais notícias
 
 
 
 
 
 
 
 
O Palco Principal é um produto da empresa UBBIN Labs, Lda
UBBIN Labs