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Festival Paredes de Coura: a reportagem do terceiro dia do evento Vê as melhores fotos aqui
 
 
2011-08-20 07:43 inserido por Filipa Oliveira
 

O dia de ontem ficou marcado, mais uma vez, pelo calor que se fez sentir. Não faltaram pessoas a navegar em barquinhos insufláveis, até mesmo Erlend Oye, dos Kings of Convenience, que, graças à simpatia dos portugueses, conseguiu um barquinho emprestado.
   
Pelo rio avistam-se alguns peixinhos que fogem da confusão na zona dos saltos, mas o que nunca deixa os festivaleiros em paz é a quantidade abismal de vespas que este ano entraram no recinto e no campismo, e sem pulseira!
   
Na hora do jazz, passou Sara Santos Silva Trio e, poucas horas depois, os Erro e Meu e Teu subiram ao Palco JN.
   
Sem grandes atrasos, chegam, ao palco 2, os You Can’t Win, Charlie Brown.

You Can’t Win, Charlie Brown - 18:00h - PALCO 2
   
Os portugueses, que este ano lançaram o primeiro disco, “Chromatic”, foram muito elogiados em 2010, quando lançaram o EP de estreia pela Optimus Discos.
   
Pelo recinto assistia-se a um grande desejo geral de ver a banda lisboeta, que é composta por Afonso Cabral, Salvado Menezes, David Santos (Noiserv), João Gil (Diabo na Cruz e Julie & Th Carjackers), Luís Costa e Tomás Sousa. Embora o público parecesse bastante calmo, não significou que não estivesse a gostar, muito pelo contrário. Do bom que se ouviu por lá, destacamos “Green Grass”, “I’ve Been Lost” e , já no fianl, “Over the Sun/ Under the Water”.

The Joy Formidable - 18:30h – RITEK
   
O concerto de Joy Formidable foi um dos concertos de final de tarde que o público mais gostou.
    
Oriundo do País de Gales, este trio de indie rock chega a Paredes de Coura para apresentar o primeiro álbum de originais, “The Big Roar”. Sendo esta a primeira vez que passaram por Portugal, os Joy Formidable foram surpreendentemente aplaudidos e bem recebidos por um público que se mostrou muito receptivo e apreciador da sua música. 
    
A destacar a excelente qualidade sonora do concerto, o que nem sempre se foi verificando no decorrer do dia, e alguns temas como “Buoy”, “A Heavy Abacus” e “The Greatest Light is The Greatest Shade”. A isto, junta-se uma poderosa autenticidade sonora, que fez despertar o público que pouco ou nada conhecia destes formidáveis.


Trail Of Dead - 19:35h – RITEK   
   
Os Trail Of Dead são, na verdade, And You Will Know As By The Trail Of Dead, um nome complexo para o simples quarteto americano que ontem, vestido de preto, subiu
 ao palco, para um concerto que se esperava bastante superiror. De início, os TOD - sigla que constava no bombo da bateria - passaram ao de leve por aqueles que muito os queriam ver. O rock musculado que se esperava da banda revelou-se só perto do final e aí, sim, assistiu-se àquele concerto que tanto se aguardava. Guitarras agressivas, um baixista ginasta e uma bateria descontrolada fizeram a festa e os que estavam na frente do palco sentiram isso.
   



Summer Camp - 20:15h - PALCO 2
   
Os Summer Camp foram a banda londrina que veio substituir os Jamaica, cantando músicas sobre o Verão, protagonizadas pela vocalista, que trazia consigo um vestido belo, que ficaria bem no roupeiro de qualquer menina.
   
Conhecidos por alguns, desconhecidos para muitos, os Summer Camp foram bem recebidos, mesmo pelos fãs decepcionados dos Jamaica. Simpáticos, divertidos e calorosos - assim foram os três meninos que vieram da confusão de Londres adocicar o dia de ontem.

 


Battles - 20:40h – RITEK
   
Em Battles já não havia motivos para se estar sentado. No palco, podia-se ver uma bateria pequena com um dos pratos de choque bem no alto, dois teclados, e duas guitarras; atrás disto, dois painéis onde projecções iam aparecendo em simultâneo e sincronizadas com o ritmo estrondoso da bateria.
   
Demarcados pelas influências de King Crimson, Jazz Rock e Frank Zappa, os nova-iorquinos deram um concerto eclético, onde a fusão entre a música e o audiovisual se conjugou na perfeição. Predominaram a tarola desenfreada e a postura do guitarrista e teclista que, no pouco espaço que tinha, dançava como um alucinado. Os Battles fizeram um brilharete na noite de ontem.
   
Quando se esperava um concerto apenas instrumental, surgem personagens projectadas nos ecrãs, das quais se destaca o Dj chileno Matias Aguayo, que ainda na semana passada esteve em Portugal para uma actuação no Pacha, no Porto, e que cantou uma das músicas com a banda do math-rock.
   
Uma batalha instrumental onde todos sairam vencedores, não só pelo concerto explosivo que deram mas também pela forma como conseguiram contagiar todos aqueles que, nem por um minuto, tiraram os olhos do palco. Os Battles ficam assim eleitos como uma das bandas mas originais de todo o festival. 
   


Deerhunter - 21:50h – RITEK
   
Já faz algum tempo que não vinham a Portugal. Bradford Cox, líder da banda, marca presença com a sua forte dinâmica e postura em palco. Embora tenham tocado muito, mas mesmo muito aLto, ao ponto de ser difícil distinguir as melodias das músicas, a música dos Deerhunter quase que podia ser a banda sonora de um filme.
   
Uma banda que trouxe muitos fãs até ao alto Minho e deu um espectáculo vibrante, mas sempre com a pena de o som não ter sido tão bom, como por exemplo em Battles.
   
Mesmo assim, os norte-americanos conseguiram contagiar o público e trazer adrenalina através de “Desire Lines” e “Memory Boy”.


Kings of Convenience - 23:20h – RITEK
   
Os fofinhos que vieram da Noruega e encontraram em Paredes de Coura um pequeno paraíso, divertiram-se imenso durante a tarde num barquinho insuflável.
   
Mal as luzes se apagaram e ainda ninguém tinha pisado o palco, assobios ensurdecedores prevaleciam no público. Mal Erlend Oye e Eirik Boe apareceram, o histerismo foi total.
   
De início achava-se que Kings of Conveience seria música de final de tarde, mas os dois senhores foram grandes e mostraram que mereciam até ter sido cabeças de cartaz. Num registo completamente distinto do que hoje se ouviu, os noruegueses mais adorados de Portugal cantaram para encantar. A noite prometia ser fria, mas, por encanto ou não, aqueceu, a partir do momento em que eles pisaram o palco.
   
“We are excited to play for such big audience” - foi das primeiras coisas que se ouviu de Erlend, que serviu de pontapé de saída para a música “24-25”.
   
Pessoas encantadas, olhos arregalados, bolinhas de sabão e palmas sincronizadas - foi este o ambiente constante daquele concerto que encheu os corações dos festivaleiros. Sempre ternurento, Erlend Oye, mais uma vez encantado com este lugar, diz com uma dicção quase perfeita: “é sempre divertido tocar em Portugal”.
   
O concerto prossegue e trocam-se as palmas pelo estalar dos dedos. A permanente interacção entre a banda e o público transformou o concerto para um grande público num momento bastante intimista. O agradecimento à simpatia dos portugueses, que os receberam tão bem, foi constante e houve até momento para um agradecimento especial àqueles que lhes emprestaram o barco.   
   
Como já é habitual, trouxeram consigo dois convidados especiais, Toby e David, que os acompanharam até ao final do concerto. Quando tudo estava a ser perfeito, surgiram “Boat Behind” e “Homesick”, que deram por terminado um dos concertos mais doces de todo o festival.
   
Inesperadamente, assistimos ao primeiro encore desta edição de Paredes de Coura com uma doce versão de “Corcovado”, original de Tom Jobim.
   
Voltem sempre e muito em breve, Kings of Convenience!



Marina & the Diamonds - 01:10h – RITEK

Todos sabiam que ela estava deslocada de todo o ambiente do festival, contudo, isso não foi suficiente para a fazer parar. A enérgica Marina deu o seu melhor! Do público avista-se muitas pessoas dispersas, mas, ao mesmo tempo, muitas outras a desfrutar e muito!

Loiraça, elegante e bem disposta, eis a cantora grega que chegou a paredes de Coura com um visual bem mais sóbrio do que aquilo que se pode encontrar  noutros concertos que tem dado.

Depois de algo tão único como foi o concerto de Kings of Convenience, foi difícil conseguir a atenção daquele público gigante, mas a música de Marina deu a volta a essa questão. Estranha mas entranha, é isto que melhor resume o final desta noite.


Texto: Ana Limão
Fotografias: Filipa Oliveira

 

 

 

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