Com apenas 23 anos de idade, Luísa Sobral vê o seu primeiro trabalho de originais, "The Cherry On My Cake", a chegar hoje às lojas nacionais. A artista esteve à conversa com o Palco Principal, ao qual explicou a origem da sua paixão pela música e a criação do seu disco de estreia.
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Depois de uma passagem pelo programa "Ídolos", no qual ficou nos lugares cimeiros, a cantora partiu para os Estados Unidos, com vista a obter formação numa das mais prestigiadas escolas de música do mundo, onde aperfeiçoou a sua técnica.
Entretanto, ganhou alguns prémios internacionais de referência, que não a fizeram, apesar da sua óbiva importância, baixar os braços. Pelo contrário: depois de acabar o curso em Boston, Luísa foi viver para Nova Iorque, onde desenvolveu a sua identifade musical.
Já actuou em bares e em festivais, mas agora reconhece que chegou a altura de profissionalizar mais o seu trabalho e assim cumprir um sonho que tem desde muito nova.
Not There Yet é o primeiro single do álbum e já conta com um videoclip. É uma forte aposta da cantora, que se mostra confiante, apesar das dificuldades actuais inerentes a todos os que optam por seguir a vida artística.
Palco Principal – Existe uma Luísa antes e uma Luísa após o concurso da SIC, "Ídolos"?
Luísa Sobral – Eu penso que toda a gente muda em cinco anos, nomeadamente quando se passa dos 16 para os 23 anos de idade. Tanto musical como pessoalmente, toda a gente muda, principalmente nessa fase.
PP – Que balanço faz sobre a sua participação no concurso?
LS – Já passou algum tempo, já não penso muito nisso. Foi uma coisa que fiz quando era mais nova, quando queria por à prova a minha musicalidade e a minha voz. Foi uma experiência.
PP – Que pensa do resultado alcançado? Ambicionava um lugar superior?
LS – Não queria o primeiro lugar, pois não era minha vontade gravar um CD. Não estava pronta para tal. Antes de gravar, queria estudar música, compor e crescer como compositora. Na verdade, gostava de ter ganho o segundo, o primeiro lugar nunca foi o meu objectivo.
PP – Concorda com o facto do prémio do concurso ter passado da gravação de um álbum para um curso numa prestigiada escola internacional de música?
LS – Penso que foi uma óptima ideia, pois o facto de ganharmos o programa a interpretar músicas de outras pessoas, não significa que estejamos prontos para gravar um CD. Não sabemos quem somos como músicos. A educação na música é essencial, é importante aprendermos com outros músicos, ganhar alguma experiência.
PP – A decisão de estudar fora de Portugal já estava tomada, por essa altura?
LS – Sim, eu fui para os Estados Unidos fazer o meu 12º ano logo após concurso. Aí comecei a cantar mais Jazz. Nos Estados Unidos existe uma grande afirmação deste género, pois foi lá que nasceu este tipo de música. Fazia todo o sentido eu ficar lá.
PP – Foi uma experiência enriquecedora?
LS – A escola foi incrível, tive professores fantásticos, melhorei muito na composição e como cantora.
PP – Actualmente, Portugal vive muito do Pop, do Rock e, novamente, do Fado. Será que o Jazz e o Soul irão começar a marcar território?
LS – Eu gosto de variados géneros musicais, mas, se ficarmos sempre pelos mesmos registos, nunca iremos evoluir noutros estilos. Penso que é importante haver pessoas que tragam sonoridades diferentes, para que as pessoas se habituem a ouvir outras coisas.
PP - Na tua opinião, por que é que ouvimos frequentemente os mesmos nomes, tanto na TV como na rádio, e artistas novos são frequentemente esquecidos?
LS – Actualmente, os artistas mais conhecidos são, por norma, nomes de grande qualidade, pelo que é merecido, à partida, o destaque. Quanto à aposta em nomes mais jovens, existe, só que muitas vezes as pessoas tendem a seguir o caminho da imitação, repetindo coisas que já existem. Mas há cantores novos que têm o seu público e já estão bem inseridos no panorama musical nacional.
PP – Chega hoje às lojas "The Cherry on My Cake", o seu álbum de estreia. Fale-nos um pouco sobre ele...
LS – É um disco que tem três composições gravadas em Boston, ainda com músicos de lá. Todos os temas são da minha autoria, com a excepção de uma versão de um tema de Rui Veloso. Tem três músicas em português, sendo as restantes em inglês. É uma mistura entre Jazz e Pop, que conta ainda com outras influências que tive ao longo dos últimos anos.
PP – É mais fácil para a Luísa cantar Jazz em inglês do que em português?
LS – Para mim, é mais fácil cantá-lo em inglês, pois todas as referências que tenho são artistas americanos que, consequentemente, interpretam na sua língua.
PP – Not There Yet é o single de avanço. O que motivou esta escolha?
LS – Not There Yet é uma das últimas músicas que escrevi para o álbum. Começou a aparecer no piano, evoluindo posteriormente. É uma das minhas músicas mais Pop e, por isso mesmo, por ser um registo ao qual as pessoas estão mais habituadas, optei por seguir esse caminho. Senti que esta música era a mais fácil de ouvir, a que as pessoas iriam memorizar mais facilmente.
PP – É utilizadora frequente das redes sociais?
LS – Uso o Facebook e tenho MySpace. No MySpace, tenho assistido ao crescimento constante do número de ouvintes das minhas músicas.
PP – Não tem receio de disponibilizar as músicas online?
LS – Nessa rede social, as músicas estão disponíveis somente para audição. Contudo, tenho consciência que um dia, eventualmente, as minhas músicas irão começar a circular ilegalmente. Hoje em dia, contudo, considero mais importante as pessoas irem aos concertos, participarem nos espectáculos.
PP – Privilegia, portanto, a interacção com o público...
LS – Para mim, é o mais importante. Um artista tem que ser conhecido, não só pela música, mas também pelo que é como pessoa. E é através dos concertos que podemos tornar essa percepção possível.
PP – Está atenta aos comentários dos fãs?
LS – Procuro sempre estar atenta. Claro que há comentários positivos e negativos. Mas estes últimos não me atingem, a não ser que sejam construtivos de alguma forma.
Filipa Oliveira e José Aguiar