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Festival Paredes de Coura: a reportagem do segundo dia do evento Vê aqui as melhores fotos
 
 
2011-08-19 07:10 inserido por Filipa Oliveira
 
O segundo dia do festival Paredes de Coura começou com um sessão de poesia, seguida da já acostumada sessão de jazz na relva. Embora gelado, o rio é apetecível, perante tanto calor!

Enquanto uns se deleitavam na relva verde das margens do Taboão, muitos já eram aqueles que se divertiam pelo recinto, ora no jogo da roda no stand do Jornal de Notícias, ora a fazer crowdsurf na zona da Antena 3 a troco de uns auscultadores todos catitas. Ao mesmo tempo, assistia-se a Les Meckinguipes e The Kanguru Project, no Palco do JN.
 
Murdering Tripping Blues - 18:00h - PALCO 2

Às 18h00 em ponto, os Murdering Tripping Blues sobem ao palco, fazendo as honas da casa, dando início ao segundo dia de concertos.

Com Adolfo Luxúria Canibal a assistir ao concerto, assim como mais um bom mar de gente, a banda de Alfornelos mostrou aquilo que diz ser “fruto de uma relação carnal e violenta, de um instinto animal e recalcamentos acumulados”. O trio lisboeta é composto por Henry Leone Johnson na guitarra e na voz, Johny Dynamite na bateria, e Mallory Left Eye, uma grávida cheia de energia e postura em palco, que se ocupa do psicadelismo visual e dos teclados.

Assistiu-se a uma explosão musical vestida de cores neutras, que conseguiu refrescar aqueles que assistiam ao espectáculo quase esquizofrénico da banda de Lisboa. Tudo parecia realmente surgir de impulsos do momento, a música não existia só por existir. Quase como uma obra de arte, a música dos Murdering Tripping Blues é um manifesto intelectual e corporal possível de entender pela presença tão forte dos elementos em palco.

Em Paredes de Coura apresentaram o mais recente projecto, “Share the Fire”, sobre o qual podem ficar a saber mais na entrevista que fizemos antes do concerto. 



Crystal Stilts - 18:30h - RITEK

De Brooklyn chegam os Crystal Stilts na sua primeira visita a Portugal. A banda nova-iorquina, que faz lembrar o obscurantismo de Joy Division, foi a banda sonora de um final de tarde bastante veronesco. Tendo sido a primeira banda a abrir o Palco Ritek, foi recebida com uma excelente adiência, que já sentia saudades de assistir a um concerto num lugar tão privilegiado como é o caso deste anfiteatro natural.

Dentro do lo-fi e do noise-pop os Crystal Stilts fizeram o aquecimento inicial daquela noite, que prometia ser grande. De entre os temas tocados salienta-se “Flying into the Sun” e “Through the Floor”.
 



Here We Go Magic - 19:45h - PALCO 2

No Palco 2, com Crystal Stilts a terminar, os Here He Go Magic preparam-se para entrar, tendo sido recebidos com o maior dos aplausos. Ele, Luke Temple, vocalista e membro fundador da banda oriunda de Brooklyn, surge com uma camisa divertida, bem ao estilo do verão americano dos anos 80.

A banda, composta por dois guitarristas, um baterista, um teclista e uma menina no baixo, tocou temas como “Land of Feeling” e “ Herbie I love you, Now I Know” num fim de tarde radiante, onde o sol espreitou até ao último minuto do concerto por entre a entrada de luz que existia no Palco 2.

Com um grande “Muito obrigado Porto”, um pouco ao engano, Luke agradece todo o incentivo e receptividade por parte do público português.
       


Twin Shadow - 19:45h – RITEK
        
Aquela que, sem dúvida, era uma das bandas mais esperadas do dia, trouxe ainda mais gente até ao recinto. Natural da República Dominicana, George Lewis, mais conhecido por Twin Shadow, trouxe ao Minho as sonoridades que remontam ao new wave, em voga nos anos 80.
  
Em palco eram quatro. Embora Twin Shadow seja considerado a cabeça deste projecto musical, não se dispensa a presença dos restantes elementos, cada um com um estilo mais engraçado do que outro, entre os quais se destaca o baterista e o seu puxinho bem no alto da cabeça, que se abanava ao mesmo tempo que tocava o instrumento.

Com o concerto de Paredes de Coura, Twin Shadow e companhia marcam a terceira visita ao nosso país, tendo anunciado uma quarta presença no dia 1 de Setembro no Clube Ferroviário em Lisboa.

No concerto não faltaram temas como “When We’re Dancing”, “At My Heels” ou mesmo “Slow”. Sempre com um sorriso rasgado e contagiante, George derreteu os corações das fãs que sabiam, na ponta da língua, todas as letras das canções.        

Um concerto feliz, que terminou com a repetição de um agradecimento profundo: “Thank you, thank you, thank you”.



We Trust - 20:30h - PALCO 2

       
Os WE TRUST são André Tentugal, realizador português que agora nos mostra a faceta de músico, Gil Amado, Rui Maia, Nuno Sarafa, João André e Sérgio Freitas. Naquele que foi o segundo concerto da banda, os WE TRUST surpreenderam de uma forma muito positiva.
        
As expectativas eram altas e público não faltava. Banhados em luzes vermelhas e azuis numa ambiência quente e acolhedora, soltaram temas como “Waiting”, “Swoon” – um cover dos Chemical Brothers - e, claro, “Time”, single de estreia que contagiou tudo e todos desde o primeiro segundo. Escusado será dizer que este foi, sem dúvida, o ponto mais forte do concerto, que contou com a colaboração do público, que entoou repetidamente o refrão sem nunca se enganar.

No meio da multidão avista-se ainda um cartão gigante com a frase: “WE TRUST in you… André”. Arrisco a dizer, com causa de conhecimento, que este foi o melhor concerto que a banda deu até agora.



Warpaint - 21:05h – RITEK
        
As Warpaint foram a surpresa da noite. O quarteto feminino de Los Angeles não se estreou em Portugal, como se achava. Marcaram presença pela segunda vez no nosso país, uma vez que cá estiveram, pela primeira vez, em Maio de 2010, em Aveiro.
        
Constituída por Emily, Theresa, Jenny e Stela, a banda norte-americana deu um concerto poderoso, sólido e bem construído.
        
“It’s so pretty here, you guys are really sexy”, dizia Emily, vocalista e guitarrista, ao público que as contemplava e se expressava com os corpos agitados perante aquele, que mostrou ser o expoente máximo do rock experimental de Los Angeles.
        
Para além de se presenciar um recinto completamente cheio de gente, ouviram-se elogios atrás de elogios por entre temas como “Burgundy”, “Elephant” e a mais conhecida, “Undertow”.

 



Esben & The Witch - 21:45h - PALCO 2
       
Ainda as Warpaint estavam em palco e já se ouviam os primeiros acordes de Esben & The Witch. A banda britânica estreia-se em Portugal, apresentando o primeiro trabalho “Violet Cries”. Num ambiente soturno, onde os rostos dos músicos nem sempre se viam, faz-se ouvir a voz de Rachel Davies, que não deixa margens para dúvidas de que aquela voz fina e estridente é igual à que se ouve no álbum estúdio.
        
Por vezes mergulhados em fumo, debitaram temas como “Chorea”, “Argyria” e, claro, o single de estreia, ilustrado com um vídeo arrebatador, "Marching Song”.
        
O público rendeu-se à sua música e aqueles que nunca tinham ouvido falar destes indie rockers levaram consigo mais uma banda para ouvirem melhor em casa.




Blonde Redhead - 22:35h – RITEK
   
A fusão entre as nacionalidades italiana e japonesa está sediada em Nova Iorque, onde os Blonde Redhead vivem e trabalham.

   
Como se podia esperar, a banda nova-iorquina surpreendeu com um cenário belo, repleto de pequenas lâmpadas espalhadas pelo palco e com um pano salpicado de branco, onde a luz se reflectia. Foi com este aparato que deu início ao concerto, dispensando apresentações e laçando-se de imediato a um público que a aguardava ansiosamente.

   
A doce e aguda voz de Kazu Makino enterneceu aqueles que tanto esperaram por este concerto. Com as músicas ensaiadas na ponta da língua, estava tudo pronto para receber “Dr. Strangelove” e “Misery is a Butterfly”.

   
Um concerto que soube a pouco, e durante o qual apenas se ouviram escassas palavras de agradecimento por parte da Kazu. Os Blonde Redhead abandonaram o palco sem despedidas, deixando a expectativa de um encore que não chegou a existir.

     


Pulp - 00:15h – RITEK

Os grandes Pulp foram a maior atracção da noite, tendo em conta o divertimento inicial, em tom de piada, proporcionado pelas frases escritas a leds verdes, projectadas num leve pano que tapava o palco.
Tal como no teatro, o pano caiu e de lá avista-se Jarvis Cocker, o enérgico e excêntrico vocalista da banda mais aguardada do dia. Separados desde 2002, os Pulp decidiram reunir-se para serem cabeças de cartaz de festivais como o Leeds Festival, o Primavera Sounds e o Paredes de Coura. Após quinze anos sem ensaiarem, o resultado conseguido foi delicioso.
Uma multidão de gente saltava extasiada e dançava até não poder mais. Cheios de energia, boa disposição e de uma simpatia inigualável, os Pulp fizeram o público explodir ao som de “Do You Remember The First Time?”, a música de abertura do concerto. Daqui em diante, foram-se ouvindo outros temas que deixam saudades e marcam grandes memórias daqueles fãs que desde sempre fizeram dos Pulp uma companhia assídua.
Seguiu-se em frente com “Razzmatazz”, “Pencil Skirt” e, entre essas, surge uma pequena conversa, na qual Jarvis procurou descobrir quem era “aquela pessoa amarela” no meio do público – tratava-se de Piruças, o cão de borracha mais festivaleiro da história dos brinquedos, que já marca presença em Paredes de Coura desde 2008.
Em redor, olhava-se para aqueles que, com os olhos a brilhar, cantavam desenfreadamente todas as músicas e aguardavam pelo grande, grande momento da noite – a canção “Common People”.
Perante um grande agradecimento, em jeito de despedida, o público aplaudiu até mais não, esperando que este tenha sido o primeiro de muito concertos que os Pulp possam ainda vir a dar.


   
A noite seguiu com Delorean e Riva Starr num after-hours onde prevaleceu a cena electrónica e de dança.

Texto: Ana Limão
Fotografias: Filipa Oliveira

 

 

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