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Delta Tejo, dia 3: A união lusófona faz a força A reportagem do terceiro dia do festival
 
 
2011-07-05 11:59 inserido por Sara Novais
 

O sol não espreitou nem um pouco no domingo, mas isso não foi impedimento para que cerca de 20 mil pessoas, maioritariamente oriundas de terras de Vera Cruz e do continente africano, passassem pelo último dia do festival

Para este dia, muitas surpresas agradáveis estavam reservadas. No palco Jogos Santa Casa, mesmo tendo havido alterações de última hora nos horários das actuações, todos os artistas tiveram «casa cheia».

Para começar, os alentejanos Virgem Suta subiram ao palco acompanhados do jingle do antigo programa de televisão "TV Rural". Em palco, diversas caixas de cartão ostentavam ilustrações, que davam ao público a ideia de estar dentro de uma taberna. E foi com esse espírito “taberneiro” (descrito pelo próprio vocalista da dupla, Jorge Bemvinda) que a banda deu início à festa, cantando Dança de Balcão e Linhas Cruzadas, em dueto com Manuela Azevedo, dos Clã.

Depois de terem distribuído copos de vinho  pelos presentes, os Virgem Suta quiseram acabar em beleza a sua performance e assim o fizeram, convidando pessoas do público para o palco. Estes corresponderam de imediato, tomando conta do espaço.


Dando continuidade ao ambiente festivaleiro, os cabo-verdianos Ferro Gaita “levantaram poeira” com os seus ritmos funk e afropunk. Vestidos a rigor, os auto-designados reis do funaná levaram ao rubro as milhares de pessoas que encheram aquele espaço, que cantavam as músicas todas, de princípio ao fim.

De seguida, outro grande artista vindo do riquíssimo continente africano: Matias Damásio. Bastante conhecido entre a comunidade africana (sobretudo entre as mulheres), aqueceu a noite com um concerto bastante agradável e que surpreendeu os que desconheciam a sua música. No Delta Tejo, apresentou o seu último trabalho, “Amor e Festa na Lixeira”, que o tansformou num fenómeno no panorama da música angolana.

No palco Delta, as surpresas também se sucederam. Os Expensive Soul, que, na edição anterior do Delta Tejo, brilharam com uma actuação no palco secundário, este ano afirmaram-se perante um público mais vasto, bastante dedicado. Animação, coreografias, interacção entre os membros da banda e muita cumplicidade entre Demo e New Max fizeram com que este concerto corresse de forma admirável. O ponto alto? A interpretação dos temas O Amor é Mágico e Dou-te Nada, do mais recente álbum da dupla, “Utopia”.

O festival continuou em português, mas com o sotaque adocicado da brasileira Maria Gadú. A cantora de 24 anos continua a ser um fenómeno de sucesso, tendo na sua carreira já dois Grammys Latinos.

Durante a sua performance, não faltaram as músicas Shimbalaiê e Mais que a Mim, conhecidas do grande público por pertencerem a bandas sonoras de telenovelas que estão em exibição actualmente. Maria Gadú transmitiu tranquilidade, boa vibração e a audiência correspondeu com aplausos e muitos sorrisos.


E eis que chegou um dos momentos mais aguardados da noite: a chegada ao palco do aclamado Ney Matogrosso, que, desta vez, surgiu de forma discreta e sombria, vestido de preto, ligeiramente maquilhado.

Dançando e embalando o corpo, o cantor encantou com as suas composições carregadas de sentimento. Com uma interpretação bastante vincada e com músicos fantásticos a acompanhá-lo, Ney Matogrosso apresentou um repertório previsível, recheado de êxitos, tais como Beijo do Bandido, o inesquecível Fascinação (de Elis Regina) ou De Cigarro em Cigarro.

Para encerrar em grande e com muita animação, o fenómeno Parangolé agitou toda a plateia. Dançar, pular e tirar o pé do chão eram as palavras de ordem ditas pelo vocalista Léo Santana, responsável pelo mega hit de Verão, Rebolation.

Esta edição do Festival Delta Tejo 2011 só encerrou portas de madrugada quanto Puto Português terminou o seu set como Dj no palco BeckStage.

Tratou-se de um festival com uma grandiosa diversidade cultural, de ambientes e de sons. Para o ano, com certeza, haverá mais.

Texto: Ana Cláudia Silva

Fotografias: Pedro Maia

 

 

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