O vento tornou-se imperador neste segundo dia de Delta Tejo, mas, mesmo assim, a afluência de público foi maior do que no dia anterior. E os ritmos que esperavam os festivaleiros aqueceram e animaram a noite, que se tornou numa ode ao sexo feminino.
Foi com Asa (pronuncia-se Asha) a pisar o palco Delta que o festival teve início, já ao final de tarde, andava ainda o público disperso pelas animações e pela zona de restauração. Mesmo assim, a cantora de descendência nigeriana convenceu a escassa audiência com os seus ritmos soul e jazz.
Os portugueses Clã subiram pontualmente ao palco principal onde, à sua espera, estava o universo de "Disco Voador", o último álbum da banda, que conta com um registo diferente dos seus trabalhos anteriores. Com asas nos pés, Manuela Azevedo brilhou na sua interpretação, recheada de simplicidade e polvilhada com piadas divertidas.
Apesar do sucesso alcançado pelo registo dedicado à pequenada, o público manifestou, ao longo da actuação, preferência pelos temas mais antigos do grupo, como “H2omem”, o eterno “Problema de Expressão” e “Carrossel dos Esquisitos”.
Continuando o desfile de beldades nacionais, Aurea surgiu, logo de seguida, com a sua banda, transmitindo o ritmo puro da soul na sua voz. Com uns singelos 23 anos, Aurea conta já com um óptimo apoio da crítica.
Como não podia deixar de ser, o famoso single “Busy (for me)" foi cantado em uníssono com os seus fãs e teve direito a repetição. O novo single, “No no no no”, também não foi esquecido, assim como outros temas incluídos no seu álbum de estreia. A versão de “Kiss”, do Prince, chegou a arrancar um pezinho de dança entre os presentes.
Ao palco, Aurea ainda chamou o presidente da Delta Cafés, Rui Nabeiro, e Luiz Montez, da promotora Música no Coração, para juntos soprarem as velas de um bolo de aniversário, que pretendia felicitar a família Delta e respectivos trabalhadores, presentes em massa no recinto.
A cabeça de cartaz deste dia era a luso-canadiana Nelly Furtado, que surpreendeu todos com a quantidade de convidados que, com ela, partilharam o palco. A setlist estava recheada com todos os singles que compõem a sua já longa carreira. A lista de hits é infindável e todos os sabiam na ponta da língua: "Powerless"; "Como Uma Força"; "Turn Off The Lights"; "I'm Like a Bird", num mash up com "Não voltarei a ser fiel", dos Santos e Pecadores; "All Good Things (Come To An End)", que contou com a presença de Lúcia Moniz em palco; "Broken Strings", sem James Morrisson, para pena das meninas presentes; "Try", num dueto com Sara Tavares, muito acarinhada pelo público; "Manos Al Aire"; "Promiscuous Girl"; e até a Lambada. O encore, mais que esperado e aplaudido, trouxe "Maneater" e "Say It Right". Um espectáculo bastante divertido e com uma carga emotiva óbvia.
No Palco Jogos Santa Casa, Rodrigo Maranhão tocou com o guitarrista António Zambujo, numa parceria transatlântica de "quase fado". O brasileiro apresentou novamente o seu último álbum de originais, "Passageiro", editado no ano passado.
Lúcia Moniz, cantora e actriz, trouxe na bagagem o conjunto de canções do seu mais recente trabalho, "Fio de Luz" – um álbum mais zen e tranquilo do que os anteriores - embora não faltassem os singles “Dizer Que Não”, “Chuva” e o esplendoroso “Try Again” (mas sem o Nuno Bettencourt).
Os verdadeiros fãs mostraram-se mais do que agradados durante o concerto e os restantes baloiçavam os corpos e correspondiam aos apelos da cantora, que se mostrou sempre sorridente e divertida.
Para terminar em registo de festa, a Orquestra Contemporânea de Olinda interpretou os seus belos temas de música popular brasileira, onde se mistura o Ska e ritmos latinos.
Para animar o BeckStage, a Dj Isilda Sanches deu continuidade aos ritmos Ska, com algum reagge e techno à mistura.
Texto: Ana Cláudia Silva
Fotografias: Pedro Maia