Junta-te a nós! O Palco Principal é uma rede social de música onde os artistas, os ouvintes e os profissionais do mundo da música se encontram. Sabe mais aqui!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Boss AC em entrevista: "Hoje sou respeitado no meio musical" Boss AC em entrevista
 
 
2012-02-07 02:45 inserido por Sara Novais
 

Eis que estamos em 2012 e a soma dos sucessos conquistados por Boss AC é avassaladora. O single Sexta-feira (emprego bom já) assinala o seu regresso ao mercado discográfico com um novo trabalho de originais, "AC para os amigos" - um disco biográfico, introspetivo e, impreterivelmente, de caracter social.

O Palco Principal não quis deixar passar a oportunidade de conversar com o músico sobre este seu novo trabalho, cuja mensagem principal é - assegura - de "paz e amor".

Palco Principal – Lançaste recentemente um passatempo através do Facebook, cujo prémio era um mini-concerto acústico de apresentação das músicas deste teu novo álbum, "AC para os amigos", em primeira mão. Como correu a iniciativa?

Boss AC – Correu bastante bem, foi bastante intimista. Foi a primeira vez que fiz algo do género e gostei muito do resultado final. Fui cantando as músicas e explicando a quem estava presente a história de cada tema, o que tornou tudo mais íntimo e especial.

P.P. – Mas nem sempre tiveste um papel ativo nas redes sociais...

Boss AC – Eu já tinha uma página, mas - confesso - era um pouco negligente no que toca a gestão de conteúdos, até porque tinha criado alguns anticorpos ao Facebook. Também já tinha o meu site oficial e o meu clube de fãs, mas nunca gostei muito do termo. Daí ter aberto a página de Facebook "Boss AC - Oficial". Desta forma, sinto-me próximo das pessoas em tempo real, sem qualquer barreira. As pessoas estão a falar comigo e sou eu próprio que lhes repondo. Por vezes, os outros artistas criam um certo distanciamento, colocando-se à parte ou acima das pessoas. Eu sou totalmente o oposto. E é essa a ideia que eu pretendo transmitir: sou uma pessoa normal. Atualmente, eu próprio faço a gestão dos meus conteúdos, faço os meus próprios vídeos e coloco-os na Internet e, na verdade, tem sido muito prazeroso fazê-lo. E o feedback também tem sido muito agradável.

P.P. – Uma mudança frutífera, portanto. Que outras mudanças consegues destacar, se viajares até ao início da tua carreira?

Boss AC – Posso dizer que cresci, que aprendi, mas, ao mesmo tempo, mantive-me coerente. Quando oiço as entrevistas que dei há 20 anos atrás, continuo a identificar-me com o que disse na altura. A essência é a mesma, mas sou uma pessoa melhorada.

P.P. - Coerência é a palavra de ordem, portanto...

Boss AC - E persistência. A palavra persistência é, aliás, a que mais me identifica, porque, se agora o hip-hop ainda não é visto com muito bons olhos, em 1994 muito menos o era. Não obstante, consegui o respeito dos meus pares. Hoje sou respeitado no meio musical. A coerência vem em segundo lugar, porque me mantenho fiel aos meus princípios. Gosto também de pensar que o meu maior sucesso ainda está para vir!

P.P. - Vem em terceiro a palavra otimismo?

Boss AC - (risos)

P.P. - A escolha da faixa Um Gajo Normal para inaugurar o teu novo álbum é mais um passo na tua «luta» em tornares-te, aos olhos dos teus fãs, uma pessoa como outra qualquer?

Boss AC – O primeiro passo numa relação de amizade é a apresentação e esta canção é o meu cartão-de-visita. Sim, há já imensa gente que me conhece, mas também existe muita que não. Portanto, optei por apresentar-me logo na primeira faixa do álbum, como uma pessoa normal, que vai às compras, que paga a renda da casa...

P.P. - A ideia de fama é algo que, definitivamente, não valorizas...

Boss AC - A verdade é que, em Portugal, há mais pessoas reconhecidas do que famosas. Se essas pessoas que se dizem famosas forem para Espanha, ninguém por lá as conhece...

P.P. - E a ti, reconhecem-te além portas?

Boss AC – Apesar do meu público ser, essencialmente, lusófono, já fui reconhecido em lugares que não lembram a ninguém. Uma vez estava a fazer umas compras na fronteira que separa Macau da China continental e surgiu um jovem a correr, a chamar-me, para dizer que era fã do meu trabalho. Enfim, ossos do ofício. Sempre que posso, tento ao máximo passar despercebido, mas sou também sensível ao entusiasmo da outra pessoa que tem oportunidade de se cruzar comigo. Na verdade, sinto-me um privilegiado, na medida em que 99% das abordagens são de apreço e respeito.

P.P. - Uma abordagem comum seria...

Boss AC - "Ah, não é o meu género de música, mas sou apreciador daquilo que tu fazes"...

P.P. - Ouves essas opiniões com um sorriso no rosto?

Boss AC - Sim, é um grande elogio que me podem fazer, uma vitória, porque, não obstante o preconceito em relação ao hip-hop, que afasta, naturalmente, as pessoas, quem escuta o meu trabalho acaba por compreendê-lo e identificar-se com ele. Sim, a sua génese é americana, mas eu faço música portuguesa, falo da nossa realidade, de coisas banais, e acabo por desconstruir o estereótipo.

P.P. - O número de abordagens aumentou depois do lançamento do single Sexta-feira - uma canção com a qual as camadas jovens da população se identificam facilmente, face à sua temática?

Boss AC – Claro que sim. Esta canção foi lançada como primeiro single - uma escolha que não foi, de todo, inocente.

P.P. - És interventivo por natureza?

Boss AC - Tenho a minha parte interventiva, mas não gosto de ser rotulado dessa forma, pois dá ideia de que, cada vez que abro a boca, é só para criticar e falar mal. Aliás, eu fujo de todos os rótulos. Limito-me a transmitir a minha visão dos factos, o retrato que faço da sociedade.

P. P. - Sexta-feira também evidencia uma quebra com tudo aquilo que tens feito até aqui...

Boss AC - Sim, existe uma quebra. E também uma evolução no meu registo musical.

P.P. - A quebra não gerou, também, reações menos positivas?

Boss AC - Já sabia, à partida, que iriam haver críticas negativas, mas eu já tenho 20 anos de carreira. Creio, portanto, ter moral suficiente para saber o que quero fazer. Mas, por vezes, as críticas nem negativas são - são infundamentadas e essas não devem merecer crédito.

P.P. - Indiscutivelmente famosos são alguns dos convidados do teu novo disco, como Rui Veloso ou Gabriel o Pensador. Como surgem estas colaborações?

Boss AC – "AC para os amigos" é, como o título sugere, um disco feito entre amigos. À minha «tropa» habitual juntaram-se alguns super talentosos músicos convidados, meus amigos também. E as coisas acabaram por ocorrer de forma bastante fluída. O Rui Veloso, por exemplo, é um músico que conheço há muito tempo. Nutro por ele um respeito e admiração enormes, quer pelo seu trabalho, quer pela pessoa que é.

P.P. – Na edição especial de "Boss AC para os amigos" repescas as canções Rimas de Saudade, Eu amei, eu chorei, e Eu tou aqui, do álbum anterior. A que se deve esta opção?

Boss AC – A minha intenção foi mostrar coisas que tinha arrumadas dentro da gaveta, por assim dizer. E também captar a atenção do público de outras influências, como a bossa nova ou o samba, presente, por exemplo, em Rimas de Saudade.

P.P. -  Já há datas e locais para as apresentações de "Boss AC para os amigos"?

Boss AC – Dia 1 de março vou estar no Paradise Garage. Entretanto, andarei de norte a sul do país a fazer showcases de apresentação do disco. E depois o Rock in Rio Lisboa...

Ana Cláudia Silva

 

 

Comentários

 
 
 









Ver mais notícias
 
 
Ver mais notícias
 
 
 
 
 
 
 
 
O Palco Principal é um produto da empresa UBBIN Labs, Lda
UBBIN Labs