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Review: Sting sinfónico

 
16.07.2010 - 11:07

Não se trata apenas de um best-off, mas sim de uma reinvenção de alguns dos maiores êxitos de Sting e dos Police. Como? Juntando à voz, às letras e às melodias de Sting o contributo de uma orquestra.

Sim, neste álbum – “Symphonicities” – temas como Englishman in New York, Every Little Thing She Does is Magic ou Roxanne (entre outros) são exclusivamente acústicos e acompanhados por orquestras (ao todo três: The Royal Philharmonic Concert Orchestra, The London Players e The New York Chamber Consort).

Acaba por ser o rumo lógico para um artista que já andava, há alguns anos, a ter um contacto próximo com o mundo clássico.

As guitarras eléctricas são substituídas pelos violinos, as baterias dão lugar a outro tipo de percussões e aparecem instrumentos pouco comuns na música ligeira, como a harpa.
É Next to You que começa o CD. O tema, apesar do arranjo sinfónico, não perde nada da sua energia original. As cordas e as percussões substituem o papel desempenhado pelas guitarras, com o ritmo que é necessário.

Em Englishman in New York, a introdução está bastante semelhante à versão que todos estão habituados a ouvir. Aqui, com um destaque maior para a flauta, que dá um importante toque à melodia.

Ao contrário da versão dos Police, em Every Little Things She Does Is Magic, a voz de Sting não aparece com nenhum tipo de efeito, o que torna a melodia mais presente e lhe confere outra importância. É curioso que a orquestra dá um ar um pouco latino à música (devido ao tipo de percussão e de ritmo utilizado), o que torna o tema ainda mais ritmado.

Algumas das faixas, devido ao arranjo, remetem-nos para algumas bandas sonoras de filme. Isso acontece, por exemplo, em I Hung My Head.

O mesmo se passa com You Will Be My Ain True Love. Mas, neste caso, o tema foi mesmo banda sonora do filme Cold Mountain. A versão original, já de si, não é tão interessante como as outras e, de facto, o arranjo não a melhora. Aliás, o tema que é utilizado no filme já é todo ele acústico, acompanhado por um violoncelo.

Roxanne surge mascarada num registo muito mais calmo do que o original. A voz de Sting aparece mais suave, trabalhada e menos «rockstar», e o violoncelo assume um papel principal (em vez das guitarras e do baixo), tendo um solo, assim como o clarinete. São pequenos apontamentos que acabam por enriquecer a música e permitem que o protagonismo seja dividido entre o vocalista e os instrumentos da orquestra.

The End of The Game mantém uma sonoridade mais pop, apesar do arranjo, que é, nesta faixa, mais leve.

Em I Burn For You acontece o mesmo que em You Will Be My Ain True Love: o arranjo, tal como a música original, muito característica de uma certa «onda» dos anos 80, não encantam.

O que ressalta neste álbum é que os temas mais «roqueiros» e mais agitados funcionam melhor na parceria com a orquestra do que as melodias mais calmas (como We Work The Black Seam, onde se consegue sentir o original rock and roll que a caracteriza; o mesmo acontece na primeira faixa, Next to You, igualmente energética).

Arranjos mais simples alternam com outros mais complexos, como é o caso de She’s Too Good For Me, onde o ritmo energético e o swing se mantêm na orquestração, de forma bastante bem conseguida.

A última faixa utiliza a orquestra de uma forma mais jazzística, onde o som da vassoura a tocar na percussão nos remete para um registo mais Frank Sinatra ou Michael Buble, por exemplo. Para além disso, o som do piano e o dueto com uma voz feminina – a de Jo Lawry, cantora de jazz - enriquece a música.

Um trabalho destes não é fácil. Trata-se de transferir as melodias de uma banda rock para uma orquestra; trata-se de transformar o que apenas três ou quatro instrumentos tocavam naquilo que cerca de dez tipos diferentes de instrumentos vão passar a tocar; trata-se também de tentar não cair no banal, já que a iniciativa de Sting não é original: há já vários arranjos pop/rock para orquestra (como é o caso, por exemplo, dos Beatles).

Este álbum é também uma maneira de Sting chegar a novos públicos. Públicos esses que, se calhar, numa situação normal, não ouviriam a sua música, mas que ficaram curiosos com este novo e diferente trabalho.

Um registo que talvez seja difícil de compreender para os amantes do pop/rock de Sting e menos entusiastas destas últimas fases pelas quais o músico tem passado. Ainda assim, “Symphonicities” é a prova de que um artista pode e deve ter as fronteiras abertas e fazer experiências. É um sinal de maturidade de Sting, que mostra aqui não estar preocupado em fazer grandes hits mas sim em explorar outras áreas.

Ágata Ricca

 
 
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