“This is Happening” é o terceiro e mais recente álbum dos LCD Soundsystem. E, também, ao que parece, o último.

A sublinhar a faceta de dance music que já caracteriza o grupo, neste novo disco, uma grande parte dos temas é marcada por batidas electrónicas, que pedem espaço para dançar e que obrigam os ouvintes a estar «in the mood». São faixas longas e com muitas experiências sonoras.
Logo no início, a começar da melhor maneira, Dance Yrself Clean. Trata-se de uma música que começa de forma tranquila e com grande destaque para a voz de James Murphy, já que o acompanhamento sonoro é ainda leve. Isto até ao terceiro minuto, altura em que os sons electrónicos ganham maior importância e onde deixam de haver dúvidas acerca do que estamos a ouvir: sem dúvida, LCD Soundsystem. E é logo desde esta faixa que a crítica se encontra presente nas letras de Murphy.
Segue-se Drunk Girls, uma música já bastante badalada. É, sem dúvida, o tema mais comercial do álbum. Se não a bastasse ouvir (tem uma melodia que facilmente fica no ouvido, boa para entoar, e com uma letra de memorização rápida) podia-se também chegar lá pela duração da mesma. Dos nove temas que compõem o CD, Drunk Girls é o mais curto, com quase quatro minutos. Uma duração bem apropriada para passar nas rádios. Todos os outros temas são bem mais longas.
One Touch é das faixas mais puramente electrónicas e experimentalistas. Sons graves, linha melódica monótona e pouco variável do ponto de vista rítmico. Uma batida sempre constante, do início ao fim da música, que impede quem a ouve de ficar parado.
A música, cujo estilo se aproxima mais do rock, apesar da sua componente electrónica, é All I Want. Com uma guitarra sempre a acompanhar Murphy e o seu canto, suave nesta música, e com a presença de coros, o carácter simplesmente dance fica de lado e, assim como em Drunk Girls ou All My Friends, do álbum “Sound of Silver”, este é um tema para ser ouvido com atenção, para ser degustado. Até na temática há algo de mais comum e familiar. No fim, umas notas tocadas no piano terminam a música de forma original e inesperada.
I can Change mantém um carácter mais calmo, que continua em You Wanted a Hit. Esta última está longe de ser um hit e é, exactamente, uma paródia com a necessidade das produtores criarem canções de sucesso, cantadas aos quatro ventos. É, contrastando com o hit Drunk Girls, o tema mais longo de todo o álbum, com mais de nove minutos.

Com Pow Pow, dá-se o regresso à dança. É uma música mais falada do que cantada, numa aproximação à cultura urbana norte-americana. Mesmo a própria expressão Pow Pow, quase um calão, faz passar essa mesma imagem. O refrão é marcado pelo ritmo do próprio título do tema, com a repetição da palavra pow. Mais uma vez, a crítica está presente nesta, que talvez seja a letra mais «farpante» de todas.
Somebody’s Calling Me volta a ser uma música atípica para o universo de LCD: mais uma vez os ritmos acelerados são postos de lado. É lenta, ritmicamente, e faz-se acompanhar por uma voz arrastada e quase inaudível, devido à sobreposição da parte instrumental. Também a linha de um trombone e o som do piano (com um pendor «jazzístico»), constituem os ingredientes desta faixa.
“This is Happening” termina com um pedido, o de ser levado para casa. Home fecha em grande este trabalho, mais uma vez bem conseguido, de LCD Soundsystem, personificado na pessoa de James Murphy. “Forget the past, this is your last chance”, diz a letra desta última música. Mas o melhor mesmo é não esquecer nada do que ficou para trás na carreira dos LCD.
É a despedida da banda que em pouco tempo juntou uma legião de fãs e transformou o panorama da música electrónica, tornando-a, não só bem «dançável», como ideal para ser ouvida e simplesmente apreciada.
Fica a esperança e a certeza de que os projectos de James Murphy não vão ficar por aqui e que, no futuro, iremos ser brindados com grandes surpresas e novidades.